quinta-feira, março 02, 2006

Cidadania

Depois de uns dias de folia, voltamos à vida normal do dia a dia, da rotina.

Música de Mesa e Rui Reininho - Luz Vaga


Powered by Castpost

Hoje vou contar-vos uma estória que demonstra bem o mundo e o País que temos. Todos já ouvimos falar de maus tratos, de vitimas de silêncios... Também já ouvimos falar da APAV (Associação de Apoio à Vitima).

Ser cidadão é respeitar o próximo…
Ser cidadão é ajudar…
Ser cidadão é alertar…
Ser cidadão é educar…
Ser cidadão é praticar…

Todos sabemos que devemos respeitar o próximo mas poucos praticam.
Nos tempos que correm e com a informação que existe só não aprende quem não quer ou anda distraído.
Quando um casal não se entende, o melhor é a separação… Quando se entendem na separação, vão a tribunal e se divorciam , então estão a seguir o caminho do respeito, ainda por cima quando há crianças , as coisas são mais complicadas. A capacidade que um adulto tem de perceber essa separação, não é “entendível” por uma criança. Antes de se tratarem mal física e verbalmente e perturbar ainda mais as crianças, então a separação deve ser o passo seguinte.
Mas quando um tem de sair de casa -acordo no tribunal- e não sai, aí as coisas complicam-se.
Como é possível viverem na mesma casa duas pessoas que já estão divorciadas e que não se entendem? Como se pode chegar a casa depois de um dia de trabalho entrar em casa, no nosso cantinho, no nosso mundo, e de repente, entra uma pessoa que já não devia lá viver. Para a criança é complicado, para quem ficou com o direito à casa também, para quem entra e não o devia fazer, só pode estar perturbada, ou é cruel.
Quando essa pessoa que entra, grita, berra, bate com as portas, atira coisas, chama nomes à outra e a criança só pede que se calem… as coisas tornam-se ainda mais complicadas, perturbadoras para todos, inclusivé para quem não tem nada a haver com o assunto e através das paredes ouve, ou lhe segredam…
Como qualquer pessoa que se importa com os outros, como qualquer cidadão atento, o que pretende é ajudar. Mas como se diz que "entre marido e mulher não se deve meter a colher"… o melhor é saber o que se pode fazer. Telefonar para a APAV- Lembre-se que o silêncio não ajuda, que ele é, muitas vezes, cúmplice dos actos violentos.
Se presenciar, suspeitar, ou for vitima de alguma situação de desrespeito pelos direitos humanos, não hesite, contacte o gabinete de apoio à vitima mais perto de si, ou ligue o número único 707 20 00 77
. Só das 10h às 13h e das 14h às 17h e nos dias úteis. Fora disso não pode haver vítimas...
Fora desse horário é atendido por uma mensagem pré-gravada que lhe dá outro número, tão rápido, que se quiser apontar, tem de voltar a telefonar. Volta então a ligar e depois de contar o que a levou até ali, dizem-lhe que já está fechado e dão-lhe ainda outro número. Ao liga,r é então atendida por uma pessoa que se identifica e depois de lhe contar a novamente a história, querer saber como fazer, como ajudar, passam-lhe a chamada para a técnica. Mas se tiver azar e a técnica, que deve ser só uma, estiver a resolver outro problema, vai ter que ligar mais tarde.
Mais tarde quando liga, já pode ser tarde de mais.
Ao fim de horas de tentativas para se cumprir com a cidadania a que temos direito, e conseguir finalmente falar com a técnica esta dá-lhe a pior resposta que pode receber – telefone para a polícia e diga que não consegue dormir com o barulho - faz-me lembrar o caso recente da Jornalista Margarida Marante, que veio a público na revista Visão da semana passada, que foi preciso gente com influência que conhecia para mexer os “cordelinhos”, pois como simples e comum cidadã não conseguiu nada a não ser ter medo. E alguém se importa? Pois como podemos sentir-nos seguros num País que não se importa connosco? Como podemos ensinar a ter respeito, se no País onde vivemos quem manda não têm respeito por nós? Como podemos ensinar a ser cidadãos onde nos é negado esse dever por quem de direito?
Não sei como esta estória vai acabar, mas o que é certo é que o mundo é feito de injustiças, que vivemos num País em que prevalece a lei do mais forte, do “chico-esperto”, do prevaricador. E eu recuso-me a colaborar com isto.
Às vezes estas coisa passam-se ao nosso lado, um aluno, um colega de emprego, um vizinho, um amigo. Se souber, não desista. Mesmo depois de ler isto telefone.

Depois de escrever este "post" e quando cheguei a casa às 19h, na minha ronda diária pelos jornais on line descobri este artigo que veio nem de propósito. Ora vejam.

<"De sua justiça">

6 Comments:

At 9:32 da manhã, Blogger Madalena said...

Teresa, tu és imparável!!!! Tanta escrita, tanta cantiga e com qualidade e pertinência. Estou a meia hora do meu dia de CNL... Sustituições, mais clubes, mais coordenações, mais salas de estudo.... Beijinhos. Wish me good luck!

 
At 10:53 da manhã, Blogger papoilasaltitante said...

Cara Teresa, o que relatas é o pão nosso de cada dia em muita casa,infelizmente.E custa-me muito esta nossa cultura do "entre marido e mulher...", mais a mais no exemplo que relatas, no qual nem existe já "entre marido e mulher... " uma vez que essa relação já foi desfeita pelo divórcio. Pobres crianças que são sujeitas a tal falta de dignidade e a tão mau exemplo!!
Mas falando das instituições como a APAV- se a unica resposta que têm é "telefone para a polícia a dizer que não consegue dormir com o barulho"- para que existem? Isso qualquer um se lembraria de fazer. Mas a polícia, qual será a resposta da polícia???
Continua sempre a prevalecer a tal lei do mais forte.
Mas como tu mesma dizes não se pode desistir e principalmente há que deixar de ignorar estes casos..e TELEFONAR!! É um dever Cívico., em nome das crianças e da vítima!!
Resta-nos esperar que as instituições passem a funcionar melhor.
Beijocas

 
At 11:34 da manhã, Blogger Henrique Santos said...

Verdades nuas e cruas, que nos deixam a meditar... Passar e olhar para o lado e fingir que se não vê o que se não quer vêr... é o que mais se vislumbra por aí. Bom tema, bem delineado, em suma belo texto!
Obrigada pela visita e pelas palavras amigas.
Bjinhos Ricky

 
At 12:04 da tarde, Blogger Carlota said...

E essa mulher não tem ninguém que a ajude?
Alguém que lhe diga para mudar a fechadura da porta de casa?!
Eu sei que é fácil dar palpites assim de longe, mas... não sei!
Afligem-me essas situações... Acho que começaria logo por telefonar para a polícia e pintava a cena ainda mais preta. Não falaria no barulho, mas sim de uma desconfiança de que alguém estaria a ser violentado na casa ao lado, dados os gritos. Algo assim que os fizesse mexer rapidamente e que pregasse um valente susto ao agressor, que evitasse que ele repetisse a cena...
Que desespero ser-se impotente para resolver estes casos!

 
At 12:23 da tarde, Blogger planaltobie said...

E esta: um casal que não se fala há 20 anos! Vivem na mesma casa com um filho!!
Pensava que já tinha visto tudo.
PCosta

 
At 1:07 da tarde, Blogger dakidali said...

Pois é Carlota,custa a acreditar. Mas infelizmente acontece. E o medo desta mulher? Eu também já tinha mudado a fechadura. E a polícia não faz nada. Infelizmente é num País destes que eu vivo.
Beijos a todos.
Teresa

 

Enviar um comentário

<< Home