segunda-feira, março 20, 2006

Crianças desaparecidas

Em média, todos os anos são «subtraídas» 150 crianças em Portugal. Menores que são retirados do seio da família e que, na maior parte dos casos, reflectem desavenças conjugais. Já os raptos e sequestros atingem, em média, mais de 400 portugueses por ano.

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Nestes números, retirados das estatísticas oficiais da Justiça, estão também incluídos os casos de crianças que nunca mais voltam a aparecer. A bebé de Penafiel desapareceu há um mês e ameaça ser mais um caso sem solução.
De 1998 até 2003 a PSP, a GNR e a Polícia Judiciária registaram mais de 2400 raptos e sequestros, um número que reflecte também os casos de crianças retiradas aos pais que detêm a tutela, ou casos em que a tutela ainda não está determinada pelo tribunal, segundo explicação de fonte policial ao PortugalDiário.
Os números que revelam, em concreto, os casos de bebés sequestrados das maternidades estão, deste modo, encobertos pela classificação estatística criminal.
O caso da bebé de Penafiel ocorreu há um mês e veio relembrar a falta de segurança nas maternidades já detectada em Setembro de 2005, num relatório da Inspecção-Geral de Saúde (IGS).
No documento, a IGS constata que «23 unidades de saúde com serviços de neonatologia garantem, em princípio, as condições mínimas de segurança», enquanto a maioria das unidades de saúde com serviços de obstetrícia/ginecologia «não forneceu informação sobre circuitos e barreiras arquitectónicas eventualmente existentes», que «permita avaliar com rigor as referidas condições».
Com ou sem segurança, a recém-nascida com apenas cinco dias desapareceu do berçário na unidade hospitalar Padre Américo. Faz esta sexta-feira um mês. A investigação está a cargo da Polícia Judiciária que, contactada pelo PortugalDiário, recusou prestar declarações sobre o andamento do processo, alegando «não ser oportuno» e que o caso está em segredo de justiça, apesar do alarme social que o desaparecimento provocou.
Num filme de nome "Alice" de um português retrata-se a estória de uma família cuja filha desaparece e torna a vida destes Pais num frenesim.


Sinopse do filme “Alice” - de Marco Martins
Passaram 193 dias desde que Alice foi vista pela última vez. Todos os dias Mário, o seu pai, sai de casa e repete o mesmo percurso que fez no dia em que Alice desapareceu. A obsessão de a encontrar leva-o a instalar uma série de câmaras de vídeo que registam o movimento das ruas. No meio de todos aqueles rostos, daquela multidão anónima, Mário procura uma pista, uma ajuda, um sinal... A dor brutal causada pela ausência de Alice transformou Mário numa pessoa diferente mas essa procura obstinada e trágica, é talvez a única forma que ele tem para continuar a acreditar que um dia Alice vai aparecer.
Este filme acabou de ganhar mais um prémio. [Ler +]
O filme, que já tinha ganho o Prémio Regards Jeunes da Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, é dedicado a Filomena Teixeira, mãe de Rui Pedro, o rapaz desaparecido desde 1998 quando tinha onze anos.

Já aqui há uns tempos falei das crianças desaparecidas e de um site que divulga as fotos de algumas crianças que desapareceram e que passados alguns anos ainda nada se sabe delas. Um desses casos é o do conhecido Rui Pedo. O desespero daquela Mãe em busca do seu filho que acredita que está vivo.
Segue qualquer pista que lhe seja dada, num desespero, num sofrimento sem explicação.
Aqui podem saber da estória do Rui Pereira que desapareceu à 6 anos.
Existem uma data de linhas de apoio, só espero que sejam mais eficazes que as da APAV [ler aqui] porque me faz muita impressão, como cidadã, como Mãe, como mulher, que uma criança indefesa seja maltratada, raptada , seja por quem fôr (Pai, Mãe, outra pessoa) e que nunca mais se saiba dela. Não consigo imaginar o sofrimento/desespero de uma Mãe ou de um Pai numa situação destas.

CONSELHOS PARA GENTE MIÚDA
  1. Não andes sozinho pelas ruas desertas ou descampados, mesmo que seja perto de casa.
  2. Não uses objectos valiosos e recusa-te a entrar em automóveis de desconhecidos.
  3. Escolhe bem os teus amigos.
  4. Se estiveres em casa sozinho, nunca digas a desconhecidos que não está mais ninguém em casa.
  5. Não abras a porta, a não ser que seja de absoluta confiança.
  6. Diz sempre aos teus pais ou a quem estiver contigo para onde e com quem vais brincar.
  7. Se te encontrares em dificuldades telefona ao 112 e, se puderes, dirige-te à esquadra mais próxima.
  8. Se fores agarrado grita o mais alto que puderes e tenta fugir.
  9. Comunica aos teus pais, à polícia ou professores qualquer anomalia de que tenhas conhecimento.
  10. Se te perderes dos teus pais, não te distancies do lugar; será mais fácil a tua localização.
  11. Procura decorar a tua morada e telefone, mas não forneças os dados a qualquer pessoa.
Cláudia. Rui Pedro. João. Sofia. Os nomes sucedem-se. O rasto destas crianças, algumas já adolescentes, perdeu-se com o passar dos anos. Desapareceu. Para trás deixaram a esperança de que um dia apareçam com vida, em qualquer parte do mundo. Uma esperança que os seus familiares carregam penosamente.

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<"De sua justiça">

10 Comments:

At 2:41 da tarde, Blogger Wakewinha said...

Não consigo deixar de sentir um arrepio frio sempre que leio sobre esta matéria, para além de lembrar o Run away train dos Soul Asylum de há uns anos, onde as fotos com desaparecidos (americanos) passeavam às dezenas...

Para além de ser um assunto triste, não posso esconder que a curiosidade gerada à volta dele o torna num assunto deveras fascinante - quem não ficava agarrado aos Casos de Polícia com o Carlos Narciso? Eu lembro que no meu primeiro ano de faculdade desapareceu um grande amigo meu, depois de ter ido namorar para a beira-rio com a respectiva... A história dela foi mal contada, as suspeitas e ilações foram por isso mais do que muitas! Mas o que é certo é que o seu corpo nunca apareceu, e ainda hoje os pais não sabem se devem ou não chorar a morte de alguém que eles esperam que esteja vivo... a todo o custo!

Com crianças a situação é bem mais grave, pois eu não consigo sequer imaginar a dor que os pais devem sentir quando perdem o rasto de uma sua criança. Fora os pais tipo o da Joana, que esses foram umas autênticas bestas; mais valia que a menina tivesse sido raptada do berço! Estaria viva, e teria alguém que lhe dava amor...

Mas enfim, não especulemos mais! Se passar a informação é algo importante, façamo-lo!

(Quanto ao diálogo no meu post, acredita que foi bem real, e aconteceu ontem à tarde. Eu sei que tenho episódios que não acontecem a mais ninguém. Estão-mo sempre a dizer... mas pelos vistos tenho de começar a falar mais vezes neles no meu blog! =P)

Um beijinho grande e desculpa ter-me estendido tanto*

 
At 2:46 da tarde, Anonymous Anónimo said...

É de facto impressionante a quantidade de crianças que desaparecem sem deixar rasto. Também eu não consigo imaginar sequer o que devem sentir as mães ou os pais dessas crianças.
Grandes conselhos para as crianças.
Bjs Lena

 
At 3:37 da tarde, Blogger papoilasaltitante said...

Como mãe é a coisa que mais me assusta!!
Wakewinha lembro-me bem desse video... e dos pacotes de leite!
Quando aqui há uns tempos me falaste na campanha das crianças desaparecidas aderi de pronto, pois é para mim inimaginável a dor dessas mães e desses pais!...
Os conselhos às crianças são excelentes e vão ser matéria de discussão cá em casa com toda a certeza!
Mais uma palavra de apreço pela foto escolhida.. tão protegido que aquele pequenino bébé parece naquelas enormes mãos... é nosso dever protegê-los a todos!!!! E frustrante que enquanto sociedade não o consigamos fazer!
Bjs

 
At 6:13 da tarde, Blogger a lice said...

Parabéns pelo post!

Acho que a dor de quem perde alguém deve ser inigualável, ainda mais sendo um filho! Fica a incerteza para sempre... e a dor que nunca acaba!

Beijinhos e uma boa semana!

 
At 10:39 da tarde, Blogger francis said...

Longe estão aqueles tempos em que os pais deixavam as crianças brincarem sozinhas nas ruas. Um sinal dos tempos, não muito agradável, por sinal.

 
At 11:53 da tarde, Anonymous IO said...

Um beijo por este post, IO.

 
At 12:10 da manhã, Blogger O Quebra-Costas said...

Ainda somos do tempo em que brincar na rua sem a constante vigilância de um familiar era possível... e é triste constatar que as crianças das gerações posteriores à nossa não poderão nunca disfrutar dessa liberdade..
Como os tempos mudam..
Beijinhos e parabéns por este excelente post.

 
At 8:51 da manhã, Blogger Pitucha said...

O que descreves causa arrepios! E faz medo.
Excelente post.
Beijos

 
At 9:46 da manhã, Blogger Madalena said...

Este é o maior medo de todos os medos. Onde é que se pode ir buscar forças, Teté? Beijinhos e obrigada pelo teu aviso, pela tua ajuda!

 
At 4:29 da tarde, Blogger Alien David Sousa said...

É triste. Eu nem consigo imaginar a dor de perder um filho desta maneira.
Só quero acrescentar uma coisa. Tu fizeste uma lista para os miudos, mas, devias mencionar, dizer ao pais que enquanto estão a olhar para uma montra no centro comercial. Alguém dá a mão ao vosso filho fingindo que é o pai/mãe e as pessoas não ligam porque pensam que a criança está a chorar porque é chata. Isto para dizer que já não existem lugares de risco, existem é oportunidades.
Fica bem

 

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