quinta-feira, março 16, 2006

Natália Correia

Faz hoje precisamente 13 anos que morreu uma das mulheres que marcaram o século XX em Portugal. A 16 de Março de 1993 faleceu Natália Correia, em Lisboa.
Notável em diferentes vertentes da escrita, teve importante intervenção política pública.

Nascida na Fajã de Baixo (Ilha de São Miguel, Açores) em 13 de Setembro de 1923, Natália de Oliveira Correia – que se estabeleceu em Lisboa com a mãe e a irmã aos onze anos, quando o pai emigrou para o Brasil – foi uma das personalidades mais destacadas da literatura portuguesa das últimas décadas. Notabilizada através de diversas vertentes do ofício da escrita ( foi poeta,dramaturga, romancista, ensaísta, tradutora, jornalista, guionista e editora), tornou-se conhecida na imprensa escrita e, sobretudo, na televisão, em programas como «Mátria», no qual exprimia uma forma especial de feminismo – afastado do conceito tradicional do movimento e que mais correctamente se poderia intitular «feminilidade portuguesa» – o matricismo, identificador da mulher como matriz primordial e arquétipo da liberdade erótica e passional; mais tarde, à noção de Pátria e de Mátria acrescenta a de Frátria.
Natália dava largas ao seu invulgar talento oratório – a que não era estranha a coragem combativa que a moveu em vários momentos de intervenção política pública – nas suas polémicas intervenções parlamentares enquanto deputada (1980-1991) e nas tertúlias artísticas: primeiro em sua casa, mais tarde no bar Botequim, que fundou em 1971 com Isabel Meireles, Júlia Marenha e Helena Roseta, e onde durante os anos setenta e oitenta do século XX se reuniu grande parte da intelectualidade portuguesa – foi amiga de António Sérgio (esteve associada ao Movimento da Filosofia Portuguesa), Cruzeiro Seixas, David Mourão-Ferreira (“a irmã que nunca tive”), Mário Soares, Urbano Tavares Rodrigues, José-Augusto França (“a mais linda mulher de Lisboa”), Manuel de Lima, Luiz Pacheco (“esta hierofântide do século XX”), Mário Cesariny, Almada Negreiros, Eugénio de Andrade, Ary dos Santos, Fernanda de Castro... – e muitos escritores estrangeiros – Henry Miller, Henri Michaux, Graham Green, Ionesco... [ler mais]

Quando ouvirem a música ponham o som um nadinho mais alto que o costume e ouçam a respiração do Carlos Paredes durante uns acordes.

Música de Carlos Paredes - Movimento Perpétuo

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PRÉMIOS

Prémios ao Autor
Prémio La Fleur de Laure, do Centre Internacional d'Études sur Petrarque, França, 1977

Prémios à Obra
Grande Prémio de Poesia APE/CTT, 1990 (Sonetos Românticos)

Auto-retrato

Espáduas brancas palpitantes:
asas no exilio dum corpo.
Os braços calhas cintilantes
para o comboio da alma.
E os olhos emigrantes
no navio da pálpebra
encalhado em renúncia ou cobardia.
Por vezes fêmea. Por vezes monja.
Conforme a noite. Conforme o dia.
Molusco. Esponja
embebida num filtro de magia.
Aranha de ouro
presa na teia dos seus ardis.
E aos pés um coração de louça
quebrado em jogos infantis.

Natália Correia
Poesia Completa
Publicações Dom Quixote

1999

Nada mais tenho a acrescentar senão a minha admiração por esta Senhora, por tudo o que nos deu, lutou e partilhou connosco.

<"De sua justiça">

11 Comments:

At 8:40 da manhã, Blogger Pitucha said...

Olá Teresa
E eu tenho um livro autografado por ela e ainda hoje recordo o seu olhar intenso. O livro é o "Não percas a Rosa" que eu adorei.

 
At 10:38 da manhã, Blogger papoilasaltitante said...

Grande memória e excelente lembrança de uma das grandes senhoras da nossa história!!
E que falta que faz no nosso parlamento...

 
At 11:34 da manhã, Blogger francis said...

Grande senhora!

 
At 12:22 da tarde, Blogger planaltobie said...

Agora, noutro filme... para a Assembleia (tu sabes do quê) pensei colocar no placar (apropriado, claro) a seguinte frase: "A FUNÇÃO FAZ O ÓRGÃO..." Pretendo dizer algumas coisas mas, nada de especial...
Só que, a Natália, com a mesma frase fez um poema que foi um show!
Foi uma resposta a um deputado que só tinha um ou dois filhos e que dizia que o sexo só tinha uma função: a reprodução. Então, ela...
Lê o poema, há-de andar por aí...

 
At 2:02 da tarde, Blogger Armando S. Sousa said...

É indiscutivelmente uma das grandes poetisas do século XX, no entanto, penso que a Natália Correia, poetisa, ainda não está suficientemente estudada, provávelmente pela sua personalidade mediática, especialmente nas áreas da política e da luta feminista.
Um abraço.

 
At 3:41 da tarde, Blogger Madalena said...

Estamos em sintonia! Um beijinho Teresa!

 
At 6:29 da tarde, Blogger O Quebra-Costas said...

Bonita homenagem.

Beijinho

 
At 6:36 da tarde, Blogger O Quebra-Costas said...

Ah, e um muito obrigado pelo link para o nosso Estaminé sem jeito! :)
Bjo

 
At 8:47 da tarde, Anonymous ni said...

Já dei os Parabéns à Madalena e agora dou-os a ti.Grande Mulher!!!
Grande e Imortal a nossa Natália.
Beijinhos TT.

 
At 9:10 da tarde, Blogger a lice said...

Parabéns pelo post!:)

Agradeço em nome das mulheres açorianas!:))

 
At 10:52 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Uma grande Mulher e uma grande Poetisa. Parabéns pela homenagem.
Bjs Lena

 

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